Quinta-feira, Outubro 08, 2009

saudade

O DISCURSO

Às 18:00 h do dia 17 do mês de maio do ano da graça de 1947, nasce em Fortaleza á rua Dom Joaquim, uma criança do sexo masculino, terceiro filho do comerciário Gessiner Farias e sua jovem esposa Luiza Gurjão Farias, de prendas domésticas. Recebeu o nome de Bergson.
Desde muito cedo mostrou-se curioso e perspicaz quando com pouco mais de três anos de idade, perguntou a uma Tia-avó viúva porque ela não tinha filho, obtendo a resposta “ Porque Deus não quis que a tia Bia tivesse”. Bergson prontamente oferece-se para ensiná-la a ter um; Tia Bia era senhora da Igreja, filha de Maria e profundamente religiosa; ao ouvir o gentil oferecimento alarmou-se de tal maneira que ficou parada e sem fôlego, só mostrando reação depois que ouviu: “ a Senhora entra no quarto, fecha a porta, deita na cama e manda chamar a Dona Dudu (a parteira) que foi assim que a mamãe fez!
De outra feita quando teve dor em um dente de leite foi levado ao dentista; sentado na cadeira de paciente, observava tudo com muita atenção; derrepente descobriu um tubo fino de onde jorrava água dentro de uma pequena bacia e, um ventilador funcionando sobre uma estante alta: Virou-se para mamãe, e perguntou com lógica maior que sua idade: “Mamãe essa água vem daquele cata-vento?”. Este é o Bergson que eu conheci, com quem brinquei, briguei, o meu irmão e com quem só pude conviver até os 21 anos: o meu amigo, companheiro, o protetor e o beijador oficial da família, nomeado pelo papai. Não precisa nem comentar o quanto ele aproveitou-se do cargo.
Outro acontecimento que mostra seu temperamento e sua personalidade aconteceu quando Bergson tinha aproximadamente 16/17 anos: ele estava sentado na varanda de casa estudando, quando um Senhor humilde e mal tratado pela vida, encostou-se num muro dizendo: “Moço me dê um dinheiro para eu pagar um sangue, pois minha mulher está grávida e precisa de sangue”. Bergson olhou para o Senhor e respondeu: “Ê Companheiro tá difícil, eu também não tenho dinheiro, mas tenho sangue, serve?” Ao receber resposta afirmativa do desesperado brasileiro, colocou-o dentro do carro e foram para a Santa Casa de misericórdia.
Em 1969, Bergson conversando com o papai falou da necessidade de sair de Fortaleza, pois aqui Ele não via mais perspectivas de futuro, pois havia sido expulso da UFC, seguindo então para São Paulo e posteriormente para a região do Araguaia. A família não tinha idéia do que estava acontecendo no Araguaia, e que ele tinha ido pra lá.
Araguaia
O Estado brasileiro ainda está devendo às vítimas da chacina do Araguaia e aos familiares, primeiramente o direito à verdade dos fatos acontecidos na região, seguindo-se o direito de cultuar-se a memória dos que lá tiveram suas vidas covardemente tiradas, sem que lhes fosse concedida nenhuma chance de defesa. Quais crimes foram a eles imputados?
Atrevimento? Audácia? Sim! Mas isso não são crimes, e sim características de pessoas idealistas e sonhadoras. Por que rotulá-los de guerrilheiros? Na verdade eram jovens guerreiros lutando pela volta de um Estado Democrático de Direito ao nosso país.
Quando foi comunicada a morte do Bergson no Araguaia, à minha tia Maria e a mim, eu particularmente não acreditei, e acho que demorei 37 anos para aceitar a morte dele, pois sempre existiu a esperança dele estar vivo refugiado em algum lugar. A propósito a nossa Tia Rita Marques por 3 vezes representou a nossa família em comitivas que se dirigiram ao Araguaia com objetivo de encontrar quaisquer informações sobre os bravos guerreiros que tombaram nos combates ocorridos lá. Seria uma grande alegria a presença nesta solenidade desta amada Tia e que por motivo de saúde não pode estar aqui, mas tinha o Bergson como um filho homem que não teve.
Então veio a confirmação pelo Ministro Paulo Vanucchi, da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, de ser o X2 os restos mortais do meu irmão. O primeiro momento foi de surpresa e paralisia, para em seguida nos envolver um sentimento de felicidade, pela possibilidade de um reencontro com o Bergson. Que é isso que está acontecendo agora. No entanto para a realização deste reencontro foi necessário o trabalho e empenho de uma rede de brasileiros (da anistia, dos Dir. Humanos, dos grupos Tortura Nunca Mais, dos Grupos de Familiares, da Imprensa e de pessoas apaixonadas pela estória e idealismo desses jovens brasileiros, que agora agradecemos de todo coração o apoio e a solidariedade para com nossa família, e aos quais estamos unidos na luta pelo reencontro dos familiares com seus entes queridos que merecem um sepultamento digno. Nossa família considera um privilégio e um golpe de sorte o Bergson ter sido primeiro encontrado, segundo identificado e terceiro devolvido para que pudéssemos sepultá-lo. Era o sonho da minha Mãe morrer só depois de enterrar seu filho. Hoje, este sonho está sendo uma realidade para nossa família, mas continuamos solidários às famílias que não tiveram ainda o mesmo privilégio. Agradecemos o apoio recebido por todos que colaboram durante estes 37 anos para que esta solenidade hoje fosse possível, aos amigos nossa gratidão. E você Bergson, meu querido irmão, agora de volta ao seio da família descanse em Paz.

TÂNIA GURJÃO

Quarta-feira, Setembro 09, 2009

BERGSON

quinta-feira, 23 de janeiro de 2003

" PORTA AVIÕES ATRACA AMANHÃ EM FORTALEZA "
Esta notícia no Diário do Nordeste de ontem me trouxe uma profunda saudade do
Bergson Gurjão Farias. Há pouco me sentei no parapeito da varanda, noite fria e
silenciosa, e enrolada na minha saudade lembrei do dia em que Bergson nos levou
para conhecer o Porta-Aviões Minas Gerais. Ficamos três horas numa fila, no Porto
do Mucuripe, mas fez questão de esperar: Rosa, Tânia sua irmã querida e eu. Não
sei precisar em que ano isso aconteceu.
Nossa amizade era fraterna, convivemos anos e anos, compartilhávamos muitas
coisas, passeios, reuniões, madrugadas e confissões. Dividíamos nossas dúvidas
amorosas, profissionais, filosóficas e existencias. Certezas e incertezas. Lembrei-me
de tanta coisa boa que vivemos, quando me encontrava preocupada com alguma coisa, ele cantava " A Rita levou meu sorriso " e terminávamos achando
graça e as preocupações iam para o brejo. Sempre que chegava lá em casa,
já entrava cantando músicas do Noel. Tinha mania por esta letra, que falava de uma
saudade que talvez não tivesse experimentado: " Não te vejo, nem te escuto,
o meu samba está de luto."
Sonhávamos com um Mundo Novo- diferente- e este sonho intenso é que o levou
para a Guerrilha do Araguaia. A última vez que nos encontramos foi em janeiro de
1969. Fazia um mês que me casara, tínhamos uma brincadeira, um acerto de que
seríamos compadres, um seria padrinho, madrinha do filho do outro.
Era madrugada, ouvi uma voz batendo devagarinho na janela do quarto " Rita, Rita !"
Pulei da cama assustada, " é sonho ?" Quando o William abriu a porta, foi uma emoção
diferente, de alegria, de saudade e de medo.
Conversamos até o amanhecer, estava acompanhado do Walmick e deixou conosco
umas coisas para guardar, e o compromisso de um segredo, ninguém poderia saber
daquele encontro. Falava com entusiasmo de tudo o que estava vivendo. Acreditava
que realmente estava lutando por um mundo novo. " Vai dar certo, vai dar certo "
Foi a última vez que veio a Fortaleza.
É, meu amigo querido, não deu certo para você, os monstros lhe mataram, mas não
foi em vão... Você não teve tempo, mas cumpri minha promessa. Jonas nasceu em abril de
1970 e o Junior, seu irmão estava no batizado representando você como padrinho.
Aqui em casa tem alguns objetos seus: retratos, bilhetes, uma camisa verde, era verde sim,
mas está desbotadinha , e uma vez ou outra coloco para lavar. Há pouco tempo, mamãe
me entregou seu terço, para dar ao Jonas. Pode ser que ainda tenha um Museu com um espaço para você e aí vou deixar lá todas as suas coisas, no acervo que contará a sua História.
A História de um jovem corajoso que largou tudo, uma família que você amava intensamente
e tantas oportunidades para uma vida calma e tranquila, na luta por Ideal em que acretitava.
E foi então sacrificado, nos seus vinte e poucos anos.


este texto faz parte do documento que entreguei a Luiza e a Tania, mãe e irmã do Bergson.
esperei durante anos, para viver este momento. chegou a hora. Bergson será sepultado em
Fortaleza no dia 6 de outubro próximo.

Segunda-feira, Setembro 07, 2009

Presente maravilhoso da Mila. Parabéns minha filha querida pelo aniversário e por essa MÃEZONA que você é. te amamos.

Quarta-feira, Setembro 02, 2009

A Carta

Tanto tempo que não passo aqui. me perguntam se desisti do blog.
não, apenas umas férias.
mari me fez hoje uma surpresa boa. william desceu para receber a correspondencia e me entregou
um envelope todo florido. carta postada ontem, que correio eficiente!


" Mãe e Pai,
Queria que essa pequena cartinha chegasse em casa em uma hora em que vocês dois estivessem.
Meu sono de ontem prá hoje foi permeado pela presença de vocês. Acordei muito cedo pensando em como foram preciosos e aproveitados os anos em que morei em casa, porque minha casa são vocês. Tive a sorte de insistir, mesmo debaixo de muito carão, para dormir no mesmo quarto com vocês quando estava para casar. E eu adorava... Como era bom acordar no meio da noite e ao alcance da minha mão estar você, mãe. E se eu estirasse os olhos, via o papai na rede, com frio. Era lindo.
Todos os dias sinto saudades e penso em vocês.
Mas é bom ter o meu canto. Bom mesmo seria a gente poder ser várias pessoas e ter várias casas.Morar em vários países. Talvez.
Mando vários beijos e agradeço muito a educação, o amor e a dedicação de pais, amigos e companheiros que vocês tiveram conosco, seus filhos.
muito carinho vai junto deste papel estampado de flores.
E amanhã começa setembro e vou almoçar aí
Mariana"



Mari , mari,
minha mari

você entende porque reclamo quando fico alguns dias sem te encontrar.
nosso amor é grande e seus abraços sem pressa me enchem de alegria.
sou muito agradecida a Deus pelo amor que recebemos de vocês. Que bom que somos nós
dos pequeninos aos mais velhos, todos carinhosos e cheios de ternura.
sua carta fez o dia mais bonito.

Terça-feira, Julho 14, 2009

meus meninos

meus meninos chegaram dia 24 de junho. meu coração se enche de alegria. é tempo de festa e os buganvillas estão floridos enfeitando a varanda, o vento trás os galhos dos eucaliptos nas nossas mãos. é tempo de festa.

Domingo, Maio 24, 2009

texto da mari, hoje, no O Povo

Quinta-feira, Maio 21, 2009

Jonas chegou dia primeiro de maio com a Loura e a Mari. Ficamos muito felizes. Dias de festas, muitas conversas, muitos abraços e muito carinho espalhado pela casa. Mari é um poço de ternura. Resolveu dormir no nosso quarto. No primeiro dia falou: vovó, quero dormir ouvindo as músicas que você cantava para os meus " irmões" e assim foi feito. na segunda noite : hoje, quero as músicas que você cantava para o meu pai e assim foi feito. na terceira noite: minha vó, hoje é dia de conversas, de contar histórias. contou muitas histórias, da escola, dos irmãos, das amigas do prédio. Jonas voltou para São Paulo na terça-feira e a noitinha ela falou: minha vó te amo muito, quero ter você para sempre perto de mim. amo sua casa, é toda linda gosto de ficar aqui... mas tenho que voltar, tenho meus amigos, minha escola, meu ballet e meus" irmões" mas, se você quiser eu te levo também. é demais para seus quatro anos.
sábado voltaram para são paulo ficamos abastecidos de carinho. logo chegará julho e estaremos juntos de novo. Ave! como diz a Luana.

Quinta-feira, Maio 07, 2009

Mari autografando o Transatlântico em BH. Voltou muito feliz, pelos amigos que encontrou, pela acolhida generosa da Lu e da Mirella, o encontro com a Natércia. Deu entrevista na rádio universitária da UFMG . minha menina escritora que amo tanto


Sexta-feira, Abril 17, 2009

texto da Mari que saiu hoje no O Povo, como parte do suplemento sentidos, em homenagem ao aniversário de Fortaleza desde segunda-feira. Mari escreveu para a edição Olfato, dessa sexta-feira e o desafio era "encarnar" Fortaleza e ser uma mulher de duzentos e oitenta e três anos.



A LINHA RECORTADA DE MIM

E se Fortaleza pudesse dizer de si mesma ? O que seus 2,5 milhões de habitantes ouviriam ?
Escritora, Mariana Marques encarna a capital. Vasculha aromas,lamenta saudades.

Que eu tenha aprendido em mais de duzentos anos a esconder meus cheiros mais preciosos, as histórias em segredo, a testemunhar em silêncio minhas últimas casas virarem prédios. Meu nome difícil, Fortaleza, de garras e grades, se solta quando penso nos tapetes de estames de jambo, avermelhando minhas calçadas tortas, a seiva bruta e elaborada de todas as minhas árvores. Meus passantes vieram um dia do interior, não faz muito. É por isso que quando cai a tarde, cheiro a tapioca, a café passado no pano, broa. Sou rural do lado de dentro das casas dos meus moradores mais antigos, quando teimam em pousar suas cadeiras na calçada, ver o lado de fora, conversar fiado, rir dos outros. Já seus filhos e netos gostam de expresso, massa folheada, de criar cachorro de raça, de televisão a cabo, de andar de carro mesmo que seja para ir à esquina. Ninguém caminha se puder dirigir, nem no meu bairro mais chique e cheio de rondas e oficiais. E meus passantes têm mania em me deixar (ou querer). Achar o novo, um outro lugar: que tenha metrô, que tenha livrarias de bairro, onde as pessoas andem a pé, onde toque rock. Eles, malas nas mãos, e eu um projeto de partir, uma paixão sem amanhã, um lugar-muro, uma intenção de deixar. A vida fosse um filme, eu faria qualquer papel. Papel de uma cidade que nem eu, onde sobra beleza, mas como ando depressa por esses tempos de duzentos e oitenta e três anos, os passantes raramente veem como é bonita a linha recortada do meu horizonte, e não me notam os detalhes. Feições de mar, quando sobem os pingos invisíveis de maresia - cheiro de peixe morto, de pescador, de natação, de criança. Gramado de estádio, cheiro de tangerina tira-gosto, de cimento, de suor, de homem ouvindo rádio grudado ao ouvido. Ando depressa, e os meus passantes raramente me notam as feições, e só sentem o cheiro quando é muito forte, quando o carro do curtume passa de um porto ao outro, carregando as vacas mortas, os bezerros, que vão por aí virar manta, virar tapete, sapato de bico fino. Em janeiro, cheiro a protetor solar do homem branco que chega para consumir, para arrematar, para procurar o bronzeado, as coxas, o sangue mestiço das moças. Cheiro a visita dos que me deixaram, cheiro a São Paulo, escapamento de carro. Aumento de tamanho, aporto transatlânticos. O sol que me queima dói, prega a pele no jeans, dentro do ônibus, ouvindo o programa policial dar a notícia das facadas, dos furtos, das brigas no meio da rua. Sou uma mulher quente, mas chovo em março graças a São José. Alago a maioria, as alamedas sem nome, os bairros sem pavimento. Cheiro esgoto, leptospirose, ratos, lixo, azedo. Desabrigo, dou perda total na vida de centenas, que choram na televisão local, pedindo ajuda ao serviço de utilidade pública do político que apresenta o programa. Do outro lado de mim, em alguma sacada de um restaurante bom, vinho bom, moças vestidas de preto, de guarda-chuva florido em punho, aproveitam o clima ameno, se transportam para um lugar fora de mim onde o calor não oprime, não limita, não desconvida. Cheiro de perfume francês, de uva pinot noir, de molhado, de doce. Andam devagar na chuva, sobem na bicicleta, ouvem Cartaz do Fagner, celebram os pingos, o frescor, a trégua do calor, ligam o parabrisa no máximo, param para tomar um café na galeria da avenida, um chá quente, têm vontade de amarrar um pano qualquer no pescoço, fazer cara de habitante de lugar que tem metrô, que tem livrarias de bairro, onde as pessoas andem a pé, onde toque rock. Mas sou só eu, chovendo em março. Bonita pra chover em março. Depois é outubro, e eu vento, e eu derrubo a maioria, as alamedas sem nome, os bairros sem pavimento. Do outro lado de mim, uma vela desliza no mar, um campeonato de kitesurf, os homens mais bonitos do mundo, os corpos, a festa da noite encerra, os narizes congestionados, e eu levanto as saias, eu vento, eu balanço os cabelos das moças. E ser uma cidade é esquisito, é desassossegado, é delicioso. A gente conta os anos, a densidade demográfica, o povo faz bolo, sai no jornal, os habitantes se multiplicam, a Iracema se enfeita de pedra colorida. O aniversário passa, os velhos morrem, os novos também morrem, é acidental e triste. No mesmo segundo, sou várias, aconteço difusa, guardo segredos: testemunha. E a diversidade me permite sentir o cheiro de algum quarto, em que a esta hora meus passantes se enrolam em brocados, lenço de cambraia, álcool, camisola, cama, incenso, mirra, ouro, os três reis magos, saliva, seiva, floema, estames de jambo, nudez. Ser cidade é o diverso - e guardar.

*Mariana Marques nasceu em 8 de junho de 1982, no momento em que o sol estava em gêmeos e acontecia o maior acidente da aviação brasileira até então. Feito vingança, decidiu ser alegre. É autora da pequena novela Transatlântico (La Barca Editora, 2009). Mora em Fortaleza e continuará.

Quarta-feira, Abril 15, 2009

A casa do meu avô... nunca pensei que ela acabasse, tudo lá
parecia impregnado de eternidade.
Manuel Bandeira

A casa do meu avô foi diferente, continua lá: linda, acolhedora, bem cuidada,
guardiã de segredos, amores vividos, amores acabados, carinhos e muita saudade. Saudades de todos que já se foram mas são lembrados com alegria. Saudade de tudo que vivemos lá, na casa do meu avô... Tudo isso, graças ao cuidado e zelo das minhas tias Nadyege e Idelvita, que tentam de todas as maneiras conservá-la. Cada canto tem a sua história, as cadeiras na calçada que continuam embalando as conversas nas noites frias, a mesa grande e farta, o barulho dos chocalhos do gado ao amanhecer, o canto maravilhoso dos pássaros, o cheiro do café com tapioca, cuscuz, queijo assado, coalhada.

Saímos de Fortaleza na quinta-feira pela manhã. A chuva nos acompanhou durante a viagem. Asfalto molhado, o sol escondido e a vontade de chegar logo ao destino. Eramos sete, os visitantes. Na chegada, palmas, choro e muita risada. A turma de lá é bem maior. Didi, Idel, Gertrudes e Rosário (são suas "filhas", adotadas ainda crianças). A Camila que é filha do Beto e da Luiza já está morando com as tias, precisa estudar. Inteligente, educada e muito sabida para os seus sete anos. Beto toma conta da fazenda ajudado por Anchieta e Manoel, irmãos de Luiza. Anchieta é casado com Marta. Maria é a matriarca dessa família, é muito querida por todos nós. É muito engraçada e dedicada. O passeio durou três dias e pareceu dez.
Falamos das lembranças, foi uma convivência alegre, tranquila, amorosa. Stenio inquieto, contador de histórias, de amores acabados e futuros amores. José Gerardo é o retrato da paz, da tranquilidade, do bom senso, Meire Celi nos deu muitas lições de garra e coragem na luta diuturna da sua recuperação, Lulu e Hesíodo vivendo um amor cheio de ternura, de atenção, esse amor que a gente fica feliz de poder acompanhar de perto. William sempre com suas brincadeiras e é muito querido de todos. Amei o passeio, fizemos planos. Planos que poderão ou não ser realizados. Na despedida o choro foi maior... era domingo, cedinho enfrentamos a estrada de volta e novamente a chuva nos acompanhou até Fortaleza.

Sábado, Março 28, 2009

São quatro horas da manhã. O sono se foi, saio do quarto de mansinho para não acordar meu Zezinho. A cidade ainda dorme, da janela do quarto vejo as lâmpadas acesas, lá prás bandas da praia do futuro, da janela da sala vejo as luzes pro lado do porto das dunas, da cidade 2000, da capelinha do Menino Jesus e aproveito o silêncio para agradecer a Deus. O céu está nublado essa madrugada não choveu pro lado de cá. Daqui a pouco os passarinhos começam seus concertos nos eucaliptos, aumentaram muito nesses últimos meses, e dia a dia temos esse privilégio de ouvir um espetáculo da natureza. São muitos e muitos, brancos, amarelos, cinzas. até beija flor tem aparecido. Lá pelas quatro da tarde eles voltam para outro espetáculo. Fecho o vidro da varanda, as folhas dos eucaliptos quase encostam ,e fico observando de mansinho.
Voltei a fazer ponto de cruz, com muito carinho fiz uma colcha para o berço do nenê da Lara e do George, nascerá em maio e eles ainda estão com o nome dele em segredo absoluto.Lara é exemplo de delicadeza, de beleza, de desprendimento, sempre desperta carinho em todas as pessoas que tem a felicidade de conviver com ela. Eita, casal bonito! é mais um Araújo que chega e será muito benvindo ! é o primeiro neto da minha prima e comadre Mary Celi e será para ela um presente precioso. Graças de Deus.
Jonas viaja dia 2, vai para o velho mundo como diz William, desta vez vai para a França e para Londres. Nestes dias tenho tido muita saudade deles, dia primeiro será seu aniversário, trinta e nove anos que recebemos esse presente. Nosso amor cresce mais e mais a cada dia. É sempre um fermento novo nas nossas vidas. Há muito tempo não passamos o seu aniversário juntos e mesmo sabendo que o aniversário dura um ano para que se complete novamente, este ano a saudade está bem maior e sei o porquê, vivo um tempo diferente que tenho que ser sempre forte, mas estou sempre fraquejando e fazendo força para continuar alegre.
Em julho comemoraremos os quinze anos de Pedro e Matheus, estaremos juntos e faremos aquela festa. Eles sempre estão mandando seus emais cheios de ternura. Mari caçula está maravilhosa, gosta muito de cantar, dançar, contar histórias de princesas, brinca muito de boneca, fala muito explicado, usa palavras difíceis para sua idade- é um encanto. Margarete caduca com tudo que a Mari faz, conversam como duas amigas da mesma idade. Lucas está bem mais calmo, mais centrado, seu vocabulário aumentou bastante, mas decifrar tudo é privilégio do Felipe e da Mila. Gosta muito de retratos e tive que esconder os álbuns, era a primeira coisa que fazia quando chegava , sentar no chão para vê os retratos. Aliás gostar de fotos é uma constante na família. Mila está deslumbrada, telefona a cada história nova. Ele é muito carinhoso, gosta de abraços apertados e longos, meu coração se enche de alegria. Nossos quatro netos nasceram com essa caracterista do afeto farto e alegre. Realmente os netos possibilitam uma nova edição dos nossos afetos.
A virose passou na família como um terremoto, primeiro foi o Lucas que sofreu um bocado, depois a Mila e a Maria. Fiquei dez dias e tome febre, nauséas, dor até nos dentes, fiquei sem me alimentar, só teve um pedacinho bom, perdi dois quilos. Telefonei duas vezes para o Monte Klinikum, a primeira tinham 19 pessoas esperando atendimento no segundo dia eram 26. José Gerardo foi o anjo da guarda, segui a risca sua orientação e graças a Deus o William escapou, era o enfermeiro. Betinha está doente desde o dia 18, fui levá-la ao Hospital Geral, tivemos muita sorte, era muito cedo e a fila na recepção tinha apenas dez pessoas, expliquei ao moço, ela está com a virose, desmaiou há pouco, me encaminhou para a enfermeira, mediu a pressão, anotou na ficha, vá para a porta x e explique ao guarda que ela desmaiou. o guarda atendeu , me encaminhou para um moço muito delicado, entrou logo em um dos consultórios para entregar a ficha.Betinha soando, lívida. Depois de um tempo " doutor ela está com a virose há seis dias". olhou pacientemente, calado escreveu o receituário e falou " é, ela está também com crise de asma, apresente a receita na sala x e depois volte aqui. A sala x tinha um guarda valente que não deixava ninguém entrar, mesmo assim fui sentá-la na cadeira de plástico. Sala grande, umas vinte pessoas fazendo aerosol, outras tomando soro, as atendentes de enfermagem, não tinham tempo de olhar no rosto de ninguém. Coitadas, também são vitimas do SISTEMA. Esperei duas horas, insisti com o guarda para ir vê-la, devia está cheio de ver minha cara de quando em vez e falou:
-" vou vê-la" ouvi sua voz alta, " o que? você quer cheirar alcool ? "
-" ela está é pedindo alcool"
- está pedindo alcool, porque está passando mal, respondi.
o primeiro que saiu da sala falou: ela desmaiou, mas ninguém viu.
o guarda perguntou: você quer entrar?
- já pedi tantas vezes, é você que manda"
sorriu com os olhos, não com a boca, precisava manter a sua autoridade.
Depois de duas aplicações de aerosol, soro, remédio sub lingual , voltamos ao médico, olhou novamente, entregou um receituário
-" Está tudo bem. Passou a crise mas volta, também sou asmático nunca fica bem. Não tem cura." Agradeci e saímos. Betinha olhou prá mim e falou: mas ele nem pegou em mim, nem chegou perto... é assim Betinha, assim funciona o Serviço Público desse País. A cada sala que entrava me revoltava com o que via e sentia, macas nos corredores, doentes gemendo ou gritando. A emergência era um caos, parecia um filme de guerra quando depois de uma batalha os feridos eram atendidos no chão pela Cruz Vermelha. Sai de lá mal, e cada dia lamento mais. a quem está entregue a cidade? a Prefeita está ausente, briga com o vice prefeito, briga com o presidente da Câmara, gasta muito dinheiro com lazer, este ano já trouxe muitos artistas para a cidade, as pessoas tem direito sim a cultura , mas vão continuar nas filas morrendo a mingua? nos Frotinhas segundo me dizem alguns usuários o quadro é bem pior do que o Hospital Geral. E o aquário que será construído pelo Governo do Estado, com um orçamento de 250 milhões ? segundo algumas fontes essa verba não pode ser usada para a saúde. sim e então ? e com saneamento também não ? construção de escolas também não? e e e e ? o aquário é para turista, que justificativa !
Mari também teve a virose, é tão inquieta que consegue ficar logo boa, bota a virose prá correr e vai a luta. tomou soro uma tarde no MK, o João ficou um dia de plantão cuidando dela, é dengosa que só... Tem trabalhado muito . Foi convidada para lançar o Transatlântico em BH, está feliz, feliz. Recebemos muitos telefonemas, muitos emails, cartões.Quanta delicadeza de tanta gente querida. Tivemos algumas horas juntos nesta semana foi muito bom. O almoço da quarta feira foi ótimo, a Tê veio me socorrer, estava de saco cheio de almoçar na rua. Só faltou o Felipe. O João é tão carinhoso com o Lucas, muito bom essa convivência amiga. Enquanto isso adotaram uma gata chata que mexe em tudo.

Ontem foi o aniversário do Felipe, filho da Susan e do Zeca, irmão da Camila. Casado com a Cristina. Meu afilhado mais inquieto. Adora cavalos, vaquejadas, derruba boi, gosta da chuva, do cheiro da terra molhada, do sertão dos Inhamuns. Desde pequeno que aprendeu a trabalhar, entende de veterinária, de agronomia, dá conta de tudo, esse menino.
Aniversário da Mazé Castelo também, gente muito boa. A comemoração será no dia do consórcio.
Hoje é o aniversário da Larissa e logo será comemorado no almoço na casa da querida Wal. Mulher guerreira que mesmo " partida " de saudade do Cesinha, continua na luta. Tocando a vida prá frente. Primeiro aniversário da Isabela, filha do Renatinho e neta da Mary minha amiga de duzentos anos. A festa começará as 18 h e a partir das dez da noite começa outra festa para comemorar os quarenta bem vividos do Renatinho. Também hoje é o aniversário da Tê, um anjo que apareceu na nossa família há vinte anos. Ajudou a educar nossos filhos principalmente a Mari atende a todos os seus pedidos e já conquistou o João Gabriel.
Parabéns para todos estes aniversariantes queridos.
O dia nasceu. Os pássaros já se foram. A chuva chegou.

Quinta-feira, Março 19, 2009

SURPRESA

acordei muito cedo. sonhei com a mari caçula, ontem ela cantou prá mim pelo telefone. uma letra linda, não sei como grava tudo naquela cabeçinha de quatro anos e que já fala em seus " sonhos", não nos sonhos de quando dorme, mas nos sonhos " de quando eu quecer". não é fácil viver longe das pessoas que a gente ama de verdade. matheus ontem nos enviou um email cheio de amor, falando da saudade da sua terra, do livro da tia mari, da vontade de estar por perto em todas as horas. a gente toma um susto... cresceram depressa demais. escreve como gente grande.
passei pelo" bruks" em seguida pelo" mmdesdobravel" onde se vai lendo e querendo muito mais prá ler, onde se encontra amor, saudade, garra, alegria e poesia. a poesia da vida. como escreve bonito esta menina! começei por ler fevereiro precisava me atualizar. tomei um susto, uma surpresa gostosa, que lava o coração neste dia de são josé, feriado em fortaleza e que é o padroeiro da chuva. como fiquei feliz... pensei, por que a outra mari não me avizou ?
tomei a liberdade de postar no memórias, são coisas do amor.

"em ingles, to look up to quer dizer admirar. gosto dessa expressao e a utilizo na minha cabeca em diversos momentos, mesmo quando estou pensando em portugues. porque a ideia eh mesmo essa, olhamos assim de baixo pra cima, com respeito, pra quem a gente admira. to look up to se aplica muito ao que sinto pela rita. que contraria o chico e sempre me traz o sorriso. a vejo sempre lah no alto, do alto da generosidade, do cuidado, do amor. tem rita pra todo mundo, basta abrir o coracao e estender a mao. a rita vai te estender a mao de volta e segurar bem apertado, mesmo que voce more muito, muito longe. a rita vai te mandar mensagens lindas, pra voce se sentir parte do mundo dela. jamais, ela vai te deixar esquecer do quanto voce eh importante. a rita vai te ligar todo dia quando voce ficar doente. voce vai sentir o olhar dela sobre voce, vai perceber a vibracao das oracaoes dela. e um dia, um dia qualquer, a rita manda um email e escreve um segredo, quase um cochicho no papel. e eu respondo: voce eh, rita. de coracao, de amor. esse segredo vai ser guardado, partilhado nas trocas de olhares, nos encontros poucos demais, durante os abracos sem pressa, quando a rita passar as unhas pintadas de vermelho bem de levinho nas minhas costas. mesmo que ela fizesse como diz o chico, e me levasse o sorriso, ainda assim, ela seria a rita. a rita pode tudo."


Quarta-feira, Março 18, 2009

O TRANSATLÂNTICO

O mar calmo e doce conduzia o Transatlântico para seu desembarque. Amigos esperavam ansiosos e inquietos. A Camerata Eleazar de Carvalho anunciava que logo mais, depois da sua música, era a hora do barco. A chuva de rosas caía tranquila pelas mãos dos alunos do Theatro, formando um tapete de pétalas vermelhas e róseas e acompanhada de olhares atentos e sorrisos doces e fartos. O violino tocava, e a menina sorria tímida com o coração transbordando de alegria, era mais um sonho realizado nos seus poucos vinte e seis anos.
A abertura coube à Sileda, que junto a Izabel foram responsáveis pelo convite de receber o Transatlântico. Sileda falou bonito, como sabem dizer as pessoas sensiveis e capazes de compartilhar a alegria. Lembrou da menina pequenina que agora vira escritora. Em seguida veio o escritor/poeta Carlos Augusto que falou sobre o livro, sobre os vários olhares da Mariana, a criação do Transatlântico, suas cores e seus tons.
A menina disse bem , falou dos seus escritos, dos seus porquês, do entender, do não entender, da sua alegria e da sua gratidão. Por fim veio o Alvaro, o editor mais jovem dessa cidade, criativo, sensível e corajoso por enveredar por caminhos novos.
A platéia era de amigos, amigos que vieram juntar-se a nós para participar desse momento de felicidade.
A noite chegou. O Transatlântico navega (e voa). Logo terá outro porto embora sem mar, será lançado em Belo Horizonte.
Voltei pra casa prenha de alegria, de bem com a vida, de bem com o mundo

Segunda-feira, Fevereiro 09, 2009

Janeiro passou rápido... nossos amados voltaram para São Paulo dia dia vinte e cinco. As férias encurtaram, geralmente as aulas só começavam em Fevereiro. Os meninos estão mais ocupados. Já em ritmo de vestibular, são três anos de dureza. Pedro está em turma especial precisa" ralar " muito para manter a média: 8,5. Pretende fazer medicina e Matheus quer ser advogado, ainda tem muito tempo para decidir. Mariana caçula, iniciou aula de ballet e está maravilhada, há muito que insistia com a Loura mas a idade não permitia. Hoje está completando quatro anos. A danada da saudade ainda persiste. A casa fica silenciosa e levo muito tempo para me acostumar. Sinto falta do barulho e até das teimosias.
É muita praia, muito caranguejo, muitas conversas, muitos questionamentos, muitas verdades, já querem " engrossar o talo " como dizia o William na época do Jonas. Mas graças a Deus são carinhosos e ajuizados.

Janeiro trouxe tristezas também. Tia Adélia se foi logo na primeira semana do ano. Não teve tempo de ficar triste, foi rápido demais. Quem podia acreditar que aquela alegria constante, aquele grande coração apaixonado pela vida, especialmente pelas crianças, estava enfermo e sem sintomas. Tia Adélia foi a professora que alfabetizou Jonas, Mila e Mariana no Colégio Canarinho. Depois de aposentada ficou trabalhando na Biblioteca do Colégio. Deixou dor na família, nos amigos, nas crianças do Canarinho. Nunca perdemos o contato, encontrar tia Adélia, era encontrar Vida, Alegria,Doação, Energia. Fui a missa com a Mila, foi linda a missa. E só ela poderia ter uma missa daquele jeito, do seu jeito. A sensação era de que ela estivesse presente. Mila se desmanchou em lágrimas. Trabalhou no colégio sete anos e teve tia Adélia como professora, como amiga, como exemplo de alegria e solidariedade. Tenho um retrato dela com o Jonas, a Mila grávida do Lucas e a Mari, quando tiver saudade do sorriso farto é só olhar o retrato. Certamente já espalhou sua alegria no céu como fez na terra durante seus anos tão bem vividos de amor. Abraços para sua família , especialmente para a e a Fátima.
Hibernon também se foi, traído pelo coração. Foi difícil demais para seus filhos , netos e amigos.
Oito dias para chegar em Fortaleza, a burocracia americana é complicada e trouxe mais sofrimento para a família. Uma viagem de férias que se transformou numa tragédia. Segundo a Mary foi a neguinha que veio buscá-lo, a D. Carmem como ele gostava de chamar. Deus acalme os corações dessa família querida. Ainda nem se refizeram da saudade da " Neguinha" precisam de muita coragem.
A Praça Martins Dourado, a praça mais bonita do Papicu, perdeu o " seu atleta" número um. Todos os dias Barbosinha estava lá, alegre, disposto, conversador. Falava com todo mundo. Chegava cedo e só voltava para casa lá pelas nove, dez da manhã. Usava uma toalhinha no ombro para enxugar o suor. Sabia de todas as noticias do bairro e da cidade e acompanhava vários grupos. Idade não era problema para ele, adorava a vida. Mas o coração acelerou demais... ´Foi uma pena Barbosinha, a praça está sempre bonita, bem cuidada mas certamente com uma saudade danada de você.
Dona Elene, sogra do Louro mãe da Lucinha foi outra perda. Mulher corajosa e exemplo de vida.Sogra perfeita, era mais mãe do que avó dos netos.
Guardiã da família mais unida e amorosa que conheço até hoje. Seus seis filhos são exemplos de uma convivência sem igual. Entrou para a cirurgia sorrindo, cheia de coragem, mas... quem podia pensar que havia chegado a sua hora.

Fevereiro me encontrou com uma bruta crise de labirintite. Em Janeiro já tinha sentido alguns sinais, mas fui deixando passar. Ela chegou forte, o mundo rodava como um carrossel, náuseas, suadeira, só sabe, quem tem. Há muito anos que eu não tinha uma crise dessas, pensava até que tinha ficado boa. Fiquei de cama, não podia ler nem ver televisão. Agora o carrossel já melhorou, mas ainda fico rodando quando me deito, me levanto. Não posso ainda baixar a cabeça, nem olhar para o alto. Tudo bem, já,já fico boa. Dr Dirceu me passou 30 dias de Labirin, faltam 20 dias para terminar. Sei bem direitinho o porque da crise. Mas tudo tem jeito nessa vida.

Terça-feira, Janeiro 27, 2009

Mônica querida,
como não consegui acessar seus comentários, resolvi postar aqui. Li seus textos e como sempre seu modo de escrever me encanta.
A história da D. Margarida me comoveu, você me fez imaginar cada minuto da cena vivida. E como deve sofrer esta senhora! Engraçado que, na semana passada, Matheus descobriu uma grande borboleta no lustre do quarto, estava lá asas abertas, sem pressa, parada no tempo. Era escura e tinha desenhos nas asas. Vovó, ela está se esquentando, lá fora está frio...Fechei a luz e nossa visitante voou, voou e pousou na cortina branca. No outro dia, Pedro achou que era preciso abrir toda a janela, pois ela precisava reencontrar a natureza. Ficou conosco dois dias e domingo a encontrei na porta do quarto da Mariana e de lá foi embora. Era o dia da volta de Pedro e Matheus para São Paulo. Quando era criança ouvia dizer que as borboletas nos trazem felicidade. Não tinha ainda ouvido a interpretação de D. Margarida, mas hoje ao ler seu post concordei com ela... Será que a borboleta que nos visitou, com suas asas esparramadas, nos falava de uma saudade que iria habitar esta casa pela falta de nossos meninos? Acho até que não parou no quarto da Mari por acaso, ela também sente falta, mesmo dividindo o quarto, suas canetas, seus lápis de cera e o computador... Mas Mônica, a saudade de que fala D. Margarida é diferente, machuca, corrói, endoidece. É aquela do nunca mais ver.

Este texto foi postado em 2003. Coincidência... sábado a noite encontrei uma linda borboleta na parede da sala, eu estava no sofá e ouvia as conversas dos meninos que arrumavam as malas. Imediatamente lembrei deste texto. Ficamos os três conversando até muito tarde. O coração já apertado de saudade. Viajaram cedinho. Muitos abraços e muitos beijos. Me sustentei até a porta do elevador se fechar. Quando fechava a porta a borboleta voou pela sala e foi embora. Coincidência... as lágrimas rolaram fartas e o dia foi longo.

Cada período de ferias é diferente. Nossas conversas são longas e divertidas. Pedro e Matheus crescidos , inquietos, teimosos e extremamente carinhosos. A Mari é uma graça, fala tudo, entende tudo e já quer ser independente. A Loura tem que ter toda a paciência do mundo para administrar essa cambada.








Sábado, Janeiro 24, 2009

terça-feira, 22 de julho de 2003

Esta história de casar e descasar tem me deixado uma certa inquietação. Não pelo fato da separação em si, cada um é o dono do seu destino, só se deve ficar junto quando o amor permanece. Quando o amor "endurece", mesmo que ainda exista muitas coisas guardadas dentro de si, é hora de partir. Para se viver junto é preciso formar um par, um par alegre, com seus segredos e cumplicidades. Tem que gostar da companhia um do outro, ter tesão, tem que existir coragem e paciência para conviver com as diferenças, cada um é cada um, sentir que é bom voltar para casa depois do trabalho, as "escovas" precisam conviver bem na paz do dia a dia.
Filhos. Não se deve permanecer junto apenas por que existem. Logo serão responsáveis pelos seus caminhos e o tempo não volta, cada um deve procurar dar uma nova cor a sua vida.
A minha inquietação é em relação a perda da nossa convivência, de repente interrompida. Na nossa família, com algumas exceções, alguns descasados que partem, desaparecem, levando nossas lembranças e só. E a amizade construída ao longo dos anos? Eu e William sentimos falta e não conseguimos entender esse comportamento. Por que tem sido assim? Por que se separar também dos amigos? Depois dessas experiências do "não deu certo", "era o jeito ", "estava de saco cheio", "vou dar um tempo", "foi melhor assim", não se sai inteiro, diante da dor é preciso se falar baixinho, entrar nas pontas dos pés, diante da dor a gente se inclina, se desvia, respeita e espera um tempo. Quando chega a hora da gente chegar perto? Sempre um sai mais triste, mais magoado. Nós tivemos as nossas perdas e aproveitando a deixa mando um abraço afetuoso para os que sumiram.
Zequinha querido, você representa a grande exceção, é o nosso consolo, pois a nossa amizade continua sem rachaduras, firme como uma rocha, e a cada dia que passa a nossa convivência vai ficando melhor. E termino este post, agradecendo por tudo que você representa na nossa família, por este sorriso farto e este coração generoso. Você é também um irmão, um tio carinhoso, um amigo maravilhoso que sabe tocar as cordas dos nossos corações
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Sexta-feira, Janeiro 23, 2009

PARABÉNS!


Jonas e Margarete,
meus queridos,

Que vocês continuem firmes e fortes,
levando uma vida juntos com sorrisos leves
e momentos doces.
Que o futuro solidifique a cada dia mais,
esse amor em constante construção,
caminhando juntos e compartilhando essa história
com amor, com firmeza, com coragem o que
tem sido uma constante em suas vidas.
Todos nós comemoramos essa data com muita alegria
e muito agradecimento
a Deus.
Pedro, Matheus e Mariana vieram fortalecer mais esse Amor
tão lindo e verdadeiro nestes quinze anos bem vividos.
beijo e o carinho dos Araújos, Marques, Ferreiras e Simões

PARABÉNS!

Mari e João completam hoje um ano de casados. Graças a Deus estão felizes como merecem. Alegres e cheios de planos. Revivendo o dia D que tão depressa passou deixo aqui registrado
o texto do cartão que acompanhou o presente dela no dia vinte e três de janeiro de dois mil e oito.
" Mari, ana meu amor.
O tempo correu tão rápido, que me assustei de verdade.
Tive momentos de alegria, de tristeza, de estresse, de dúvidas e
de intensa felicidade.
vivemos esses momentos, esses noventa e tantos dias de preparação
e esse tempo nos " juntou " muito mais, conheci outras maris e você conheceu
outras ritas.
Pensei muito, muito, no presente que devia te dar neste dia, queria uma coisa
que marcasse, que ficasse, que nunca se acabasse, até que em uma das noites
insones, descobri, parece com você, é meu, é seu, como não descobri antes ?
é o presente perfeito, tem uma história, não se acaba. Quero que você tenha cuidado, zelo, carinho, não por apego, mais será parte de um pacto, de que sempre estaremos juntas, para sempre ETERNAMENTE.
Parabéns e a felicidade toda do mundo para vocês
beijo da mãe Rita e cia"

tive uma grata surpresa quando recebi as fotos do casamento e lá estava ele o anel que usei
durante tantos anos. o Daniel sem saber fotografou o meu presente para ela que simboliza o nosso pacto.

João e Mari,
meus queridos
Parabéns e continuem vivendo esse Amor a cada dia construindo a história de vocês.

Domingo, Janeiro 18, 2009

30 de Novembro de 2008

nunca dormi só quando criança. rita me embalava numa rede branca, nos idos da silva paulet 2670. na ana bilhar, rita me embalava numa rede branca. depois os braços morenos do josé iam me pegar no colo, me levar pro meu lugar, me dar um copo de leite com nescau. e, adormecida, enganada, eu ficava quieta com meu sono solitário.
rita tinha um repertório fixo, nunca inventava moda, nunca trazia cantoria indédita. e era bom, que eu decorava as mais bonitas. nunca tive vontade de dormir quando ela cantava "a banda", o sono ia embora, eu só queria saber o que acontecia depois que a banda passasse. sempre tive vontade de chorar quando ela cantava "sertaneja" com a voz forte e grave. de vez em quando, vinte anos depois, acordo pensando em alguma música do repertório. semana passada, lembro que acordei de manhã como se tivesse sonhado com o embalo, a voz dela cantando o dia todo no meu ouvido: "as velas do mucuripe vão sair para pescar". e essa semana eu vi o mucuripe e as velas saindo para pescar.
hoje acordei com o peito apertado que só, pensando não sabia por que em uma música antiga, que só tinha versos soltos na minha cabeça, e o começo da cantoria. aí comecei a ouvir a voz dela cantando, e entendi. de vez em quando lembro de mais música em pedaços: vem meu menino vadio, vem sem mentir pra você. o clássico dos embalos.
chega já o natal. a minha casa não se enfeita como a dela. árvores, filhos, netos, coisas, as luzinhas daqui de casa não piscam. mas três bonecos de neve fingem subir uma escada pendurados no armador, em madeira e pelúcia. um enfeite de casa chique. ganhei de presente de foz do iguaçu. e também temos uma árvore de natal lúdica de madeira, vinte centímetros de altura. ficou bom, é bonita.

e pra rita, vai embaixo a música que acordou hoje no meu ouvido na voz dela, cantando baixinho, com toda a paciência do mundo, até que eu caísse no sono.
(um dia desses, vi um lp do chico buarque de 1968 dedicado dele pra ela. "nega, aqui está o lp da música que você gosta" escrito na capa de caneta azul. hoje descobri que essa música também estava nesse mesmo lp. deve ser por isso que fazia parte do repertório fixo dela.)

O velho - Chico Buarque Lindo

O velho sem conselhos
De joelhos
De partida
Carrega com certeza
Todo o peso
Da sua vida
Então eu lhe pergunto pelo amor
A vida iteira, diz que se guardou
Do carnaval, da brincadeira
Que ele não brincou
Me diga agora
O que é que eu digo ao povo
O que é que tem de novo
Pra deixar
Nada
Só a caminhada
Longa, pra nenhum lugar

O velho de partida
Deixa a vida
Sem saudades
Sem dívida, sem saldo
Sem rival
Ou amizade
Então eu lhe pergunto pelo amor
Ele me diz que sempre se escondeu
Não se comprometeu
Nem nunca se entregou
E diga agora
O que é que eu digo ao povo
O que é que tem de novo
Pra deixar
Nada
E eu vejo a triste estrada
Onde um dia eu vou parar

O velho vai-se agora
Vai-se embora
Sem bagagem
Não sabe pra que veio
Foi passeio
Foi passagem
Então eu lhe pergunto pelo amor
Ele me é franco
Mostra um verso manco
De um caderno em branco
Que já fechou
Me diga agora
O que é que eu digo ao povo
O que é que tem de novo
Pra deixar
Não
Foi tudo escrito em vão
E eu lhe peço perdão
Mas não vou lastimar

boa noite
Postado por barbra brusk

Ontem recebi o Transatlântico, livro da Mariana que deverá ser lançado brevemente. Li a dedicatória :

para a Rita e
o que seus olhos vêem.

e o mapa da Fortaleza,
que cobre e se descortina.



e lembrei deste texto que escreveu em novembro passado. Algumas vezes me chama de Rita no
começo estranhei, agora até acho que ainda nos aproximou mais. Na outra página escreveu:
Mãe,
Sua dedicatória é a maior de todas. Esse livro,
apesar de ser uma ficção, sou eu. É meu 2008.
O último capítulo é nada mais que o resultado do
que você me criou prá ser.
Ver a vida como você vê é ver a vida com garra,
com o " couro grosso ", com coragem, atitude,
otimismo e um tanto da praticidade que você imprime.
Essa Fortaleza que tem aí é o nosso lugar,
as coisas que estão perto de nós. E essa história de amor
e desencontro é só uma ilustração da impossibilidade.
Te amo muito. Já repito sempre que você é minha vida
inteira, minha essência, meu tudo, a extensão de mim.
beijo da Mari

Quinta-feira, Janeiro 15, 2009

O Pai Nosso da Mari

video

Quarta-feira, Janeiro 14, 2009

Lembranças




O pássaro era um galo campina, que algumas pessoas chamam de "Cabeça Vermelha". Viera das bandas do Sertão dos Inhamuns. Presente da avó amiga e dedicada ao primeiro neto, chegou numa gaiola bonita e bem trabalhada, que as mãos cuidadosas de alguém construíram especialmente para entrega do presente prometido.

O pessoal da casa vibrou em solidariedade à alegria do pequenino, e eu, como mãe da alegre criança, passei a cuidar do pássaro, que nos acordava a cada manhã com seu bonito canto, nos trazendo uma mensagem da necessidade de enfrentar novo dia de trabalho.

Passaram-se meses e o menino inquieto em descobrir as coisas da vida, insistia que lhe entregassem a gaiola, queria ver de pertinho, como dizia. Colocava seus dedos entre os arames tentando segurar o pássaro e senti-lo seu.

Um dia, ao voltar do trabalho, encontrei a gaiola vazia. Perguntei o que havia acontecido e ele me respondeu: "Mãe, mandei ir embola, ele disse que já estava tliste de tar pleso."

Não comentei, não reclamei, mais senti falta e por vários dias olhando a gaiola vazia, imaginava o pássaro solto e alegre nos galhos de uma árvore florida,alegrando com seu canto a natureza

Segunda-feira, Janeiro 12, 2009

Lucas

video

Lucas quer a todo custo abrir o baú , gosta de folhear as fotos .
Cada um que reconhece aponta com o dedinho, alguns ele quer
beijar, aqueles que estão mais perto dele. Adora os porta retratos
e já quebrou dois.

Lembranças

A sala ficou diferente depois que ele foi colocado na sua entrada, junto ao cabide espanhol e os retratos de pessoas tão queridas.
Silencioso, acolhedor e senhor de tantas histórias, histórias de amor, desamor, alegrias. Cada vez que o procuro, encho o coração de uma saudade gostosa. Partilha comigo os segredos desta familia inquieta e às vezes barulhenta.
Alguns já se foram e nos deixaram uma herança de momentos alegres, outros casaram e construíram suas vidas, outros, depois de descasados, se afastaram... Veio de longe e não conhecemos suas próprias histórias e às vezes me pergunto: Quantos anos tem este baú? Por onde já passou? O que guardaram nele? Papéis? Roupas? O quê? A única certeza que tenho, porém, é de que ele nunca foi tão feliz como nesta casa, porque guarda milhares de imagens construídas ao longo de nossas vidas.



Sexta-feira, Janeiro 02, 2009

ANO NOVO

2009 já é... e preciso acreditar que será melhor do que 2008. Vivemos um tempo difícil, tentei não falar mas é melhor falar, escrever, não vou escrever e deixar guardado nas gavetas, este espaço é mesmo prá isso. William teve vários problemas de saúde em 2008, um deles no coração. Seu quarto cateterismo apresentou mais uma artéria com problema, está com 80% de obstrução. O médico que o atendeu em São Paulo é considerado uma autoridade em coronárias calcificadas. A consulta foi minuciosa, demorada e todos os exames foram cuidadosamente examinados, elogiou muito o Dr Carlos Roberto, concordou com o tratamento clinico.Terminou a consulta e deu a sentença(?) " o que posso te dizer, não pode colocar ponte de safena, colocar stend nem falar, um stend nessa artéria séria um desastre, feche a boca, faça caminhadas para ter um parâmetro a hora que passar mal, viva todos os momentos. o senhor pode reenfartar a qualquer hora". Foi duro demais para nós dois ouvir isso, assustador. É a vida cada médico tem a sua conduta. Claro que já sabíamos que não tem indicação de safena e de stend, mas nunca tinhamos ouvido uma sentença tão categorica e fria. Saímos do consultório mudos, uma vontade imensa de sentar no chão e chorar, chorar muito, muito. Em São Paulo ele conseguiu disfarçar um pouco, tem as crianças, os passeios, as brincadeiras. Quando voltamos ficou péssimo, Carlos Roberto já nos atendeu duas vezes, conversou muito, com um carinho, um cuidado, não podia negar o que o outro falou, mas tem a sua maneira de colocar, de enxergar o outro. Ele já cuida dele há sete anos e o conhece muito. Está com recomendação de não fazer esforço físico, orientou para que fizessemos passeios nos fins de semana, evitar estresse, VIVER. Nos últimos dias tem melhorado, fomos ao passeio da comemoração dos quarenta que foi maravilhoso. as vezes esquece ,outras fica triste demais. Somos uma família muita amorosa, muito amiga graças a Deus e isso permite que um vá segurando o outr0. Pedro e Matheus já entendem e ficam perguntando, preocupados. Mesmo assim vivemos grandes momentos de felicidade e continuaremos lutando por isso.
Fomos passar o Ano Novo no aterro da Praia de Iracema, Pedro Henrique e Sandra organizaram uma turma alegre e animada.
Feliz Ano Novo para vocês que passam por aqui, muita PAZ e SAÚDE!

Domingo, Dezembro 28, 2008

Feliz Natal

Nossa festa de Natal foi na casa da Elvira e do Rui. A família mineira estava toda reunida, a brincadeira da troca de presentes foi muito animada. Lamentei não ter atendido o convite da prima Susan, só consegui sair da Elvira as duas e meia da matina. Antes passamos na casa da Margarete e do Samuel, estava também muito animada. Senti falta de uma celebração cristã nesse dia do nascimento de Jesus.
Durante anos passávamos a noite de Natal na casa do Coronel, era uma maravilha, depois da chegada dos netos fomos ficando em casa. Jonas sempre ficava dividido, a meia noite corria da casa da Nildinha para ficar com a gente e isso me chateava e há dois anos resolvi suspender a festa. Mas estou pretendendo voltar e fazer mesmo o encontro aqui em casa.
Durante anos ficava preocupada em " comprar" muitos presentes, tinha vontade de presentear todo mundo, família e amigos, perdia tempo, me estressava, as vezes gastava mais do que devia. Em 88 resolvemos fazer um Natal diferente. Fomos eu e William distribuir presentes no Lar Torres de Melo, exatamente no dia 24 a tardinha. Saímos de lá tristes e com o coração apertado. No Natal seguinte nosso amigo irmão Campos Filho, estava vivendo seu último Natal estávamos num tempo de muita dor e resolvemos distribuir sanduíches para crianças e pessoas na rua. Fomos todos nós. Jonas e Mila já entendiam, mas a Mari tão pequenina, não entendeu direito aquela Noite de Natal. Começamos pelo Instituto Cristo Rei, internato de crianças abandonadas localizado na Bezerra de Meneses, cuja diretora era a D. Gercila. Grande mulher, nunca mais ouvi falar dela. A segunda visita foi numa casa na 24 de maio, eram jovens e alguns drogados, foi muito triste. Em seguida fomos para a Catedral, nesse tempo a violência não nos amedrontava e tinha alguns pedintes esperando aqueles que iam assistir a Missa do Galo. Terminamos na Beira Mar. Distribuímos 1000 sanduíches terminamos todos tristes. Chegamos a conclusão que não era justo colocar os meninos de frente com uma realidade tão cruel ainda eram muito jovens.
O grupo "das meninas", que este ano completou 24 anos, sempre foi mais solidário a cada ano escolhemos uma Instituição. Nos últimos anos tem sido sempre a Toca de Assis. O grupo do Consórcio é mais egoísta, tentei muito, mas desisti. Não abrem mão dos presentes. Mas sei que algumas delas já colaboram o ano inteiro. Venho lutando contra esse consumismo há quatro anos e tenho conseguido algumas melhoras. Transformo os presentes em cestas básicas e é muito mais gratificante. Jonas também acompanha e faz sua parte. No ano passado exagerei e até Pedro e Matheus perderam os seus presentes. A exceção das atendentes dos nossos médicos, das pessoas que trabalham com a gente, os porteiros do prédio...
Almoço do Natal na casa da Mary Celi. Não foi por acaso que
Mariana escolheu esse local no jardim. A Praça José Aragão.
O Natal era a festa mais curtida por ele. Participamos desse
almoço há trinta e quatro anos. A turma é amiga e divertida.
Este ano teve mais uma comemoração, agradecer a Deus a
recuperação da nossa " neguinha " Mary Celi. Mulher de Cora-
gem e garra.
Família Araújo,Marques,Ferreira,Simões,Lima e Veras.
só esse magote vira uma festa.

Sábado, Dezembro 27, 2008

O Lucas e a Mari se querem muito, se agarram demais e nunca brigam.

Quarta-feira, Dezembro 24, 2008

NATAL

O dia ainda amanhecia... acordei e fiquei lembrando de tudo que vivemos nestes últimos dias. Viajamos prá Guajiru na sexta pela manhã, eu, william e mari, sem pressa, coração cheio de alegria. Tarde cedo chegou João Gabriel que não pode fugir do trabalho, logo depois Felipe, Mila, Lucas e Betinha. Cada um chegava e visitava o nosso apto , todo decorado, idéia da Mari. A cama com um enorme coração de pétalas de rosas, tinha rosas na pia do banheiro, até no porta papel higiênico, balde com champanhe, taças, velas. Foi um sucesso. A noite fomos esperar Jonas, Loura, Pedro, Matheus e Mariana na praçinha , todos inquietos. Cansados da viagem e cheios de vida, de alegria e carinho. A turma estava completa. Comemoramos o aniversário de casamento, comemoramos o Natal, comemoramos tudo o que já vivemos nessa vida. O hotel é maravilhoso e todos os funcionários tomaram conhecimento daquela família barulhenta e animada. Eles foram super delicados.
Em Flexeiras o Jonas e a Loura encontraram o Batista, garçon que tinham encontrado há 14 anos. Foi uma festa " Batista , nunca me esqueci da sua batata frita, foi a mais gostosa que comi na minha vida". Batista ficou feliz, e caprichou. Descobrimos no Mundaú um restaurante maravilhoso e em Flexeiras também. Embora acredite que nesses momentos tudo que viesse era maravilhoso. Quase fiquei embriagada nas Flexeiras, tomei cerveja muita, descontei..
Tivemos luar na praia, céu estrelado como não víamos há muito tempo ( ou não temos mais tempo prá olhar pró céu ?) Felipe organizou tudo. Arrumou cadeiras, baldes de gelo, taças, teve ate bomba de " rasga lata" com a cumplicidade do Jonas para alegria dos meninos. Pedro serviu o panetone que ganhou da Elis. O coração dividido , parte focou em São Paulo. No domingo teve bolo, velas e parabéns. A massagem relaxante na Casa da Árvore foi um momento especial, ambiente zen, com cortinas, música, as massagistas são ótimas. Presente do Jonas. William sempre brincalhão, quando vieram entregar o roupão ele falou: " e nós vamos vestidos de são franscisco ? O roupão é de cetim marron. Curtiu muito e até esqueceu dos problemas do coração.Quatro dias agitados de plena alegria. Lucas curtiu a liberdade, corria na praia de braços abertos, caia e não chorava, fala muito pouco mas entende tudo. Deu uma folguinha para a Mila que continua sem babá. A Betinha foi joía ! Mariana caçula quer cuidar dele como gente grande e passam o tempo se abraçando e se beijando. Matheus toma conta dos dois e certamente vai ser um paizão quando crescer. João teve que voltar no domingo é o único calmo da família para contrabalançar a agitação dos outros.
Certamente que tudo que vivemos não pode ser descrito, fica eternizados nas nossas lembranças.

Terça-feira, Dezembro 16, 2008

Preludio para Ninar Gente Grande


PAZ DO MEU AMOR


Você é isso,

uma beleza imensa,

toda a recompensa

de um amor sem fim!

Você é isso,

uma nuvem calma

no céu de minha alma,

é ternura, enfim!

Você é isso,

estrela matutina,

luz que descortina

num céu encantador!

Você é isso,

parto de ternura,

lágrima que é pura,

paz do meu amor!

Luis Vieira







Em 2002 comecei a pintar cêramica, fiz um quadro oferecido ao Zezim e escrevi :
"você é isso, parto de ternura
lágrima que é pura,
paz do meu amor"

Zezinho querido,
realmente você é a minha paz,as vezes me faz rir quando estou com a cabeça cheia de problemas, estressada, sabe exatamente quando pode ou não me falar de alguma coisa que sabe que vou ficar triste. Sempre está feliz, alegre, disponível, e é por tudo isso que você não pode perder essa alegria agora. As pessoas que te cercam que convivem conosco te admiram sua maneira de viver. Todos nós precisamos da tua alegria.
Fiquei muito feliz quando resolveu ficar em casa hoje, parece que de repente o sol brilhou mais e iluminou a casa com a sua decisão, esqueceu os medos que tem te cercado por estes dias e tanto tem nos preocupado. Sei que os responsáveis por essa mudança foram Lucivan, Gercelina e Carlão . O primeiro veio ontem aqui e falou " vamos celebrar a vida", ela porque ontem a meia noite puxou " um parabéns prá você" cheio de alegria e o Carlão fincou pé e disse " vou para sua casa de qualquer maneira,mesmo que não estejas lá" parecia um pai dando ordem ao filho. É engraçado, quantas vezes nestes vinte e poucos anos de convivência você também foi pai dele. Diz o ditado santo de casa não faz milagre. Hoje sei que teremos uma noite ótima, mesmo sem planejar. Temos que celebrar a vida , meu amor.
Parabéns pelo aniversário, pelos sessenta e sete anos de alegria, pelo Homem que você é, pelo marido, pelo pai, ( e mãe ) pelo avó,genro, sogro e amigo.



Sexta-feira, Dezembro 12, 2008

Lara





Esta menina linda é a Lara, filha do Draulinho e da Juliana, e primeira neta do Flavinho, que ficou com o coração aos pulos de alegria. Flavinho professor, fazendeiro, político, boêmio, cantor, músico, piloto, motoqueiro, só faltava ser avô. E vai ser um vozão. A família ficou toda alvoroçada com a chegada. E como ela foi esperada! O pai no telefone era pura alegria, "minha tia, ela é tão linda! dá vontade de lamber" Parabéns para as famílias, Torres, Araújos e Rosas.


Sábado, Dezembro 06, 2008

Ontem fomos a comemoração do aniversário do Francisco, que é pai do Felipe e avô coruja do Lucas. Resolveu cantar parabéns para nós. Já era madrugada e o dia seis, logo amanhaceria. Stelinha tinha chegado do Juazeiro e nos acompanhou para nossa alegria.
Gadelhinha até tentou marcar uma missa na Igreja de Fátima, mas não conseguiu. Vou marcar no inicio de janeiro antes do Jonas voltar prá São Paulo. Fiz estágio em área assistida pela Paróquia de Fátima. Admirava profundamente o Padre Geraldo Ponte, que brincava comigo que iria celebrar meu casamento, nessa época não sabia ainda que seria o Zezim o meu companheiro Mas deu certo e realmente ele cumpriu a promessa. A Hélvia cantou a Ave Maria, mais linda da história das nossas vidas. Entrei na Igreja de braços dados com meu avô João Firmino. Mamãe casando a sua caçula, forte como uma rocha e conseguiu não chorar. Vovô já se foi e também alguns dos nossos padrinhos, Tio Firmino, Irá, Coronel Paiva, tio Zé e tia Hermengarda. Lembro deles com muito carinho.

Quarta-feira, Dezembro 03, 2008

Há quarenta e cinco anos eles se conheceram. Era um sábado e ela voltava do Cinema de Arte. Zorba, o Grego. Lembra até do vestido azul que estava usando. Achou aquele moço bonito e desviou o olhar. Tinha terminado o namoro havia três meses. Não estava pensando em namoro, a preocupação era passar no vestibular. Ele insistiu, ela recuava... no quinto dia decidiu aceitar seu pedido de namoro, era três de dezembro, quarta-feira, dia de jogo no Presidente Vargas. O Ceará jogava naquela noite. Antes de ir para o Estádio ele passou na casa dela. Depois de alguns meses foi aprovado no Concurso da Secretária da Fazenda. Trabalhou em algumas cidades do Interior. Tabuleiro do Norte, Aracati, Jaguaruana e Pereiro. Fez parte da seleção de futebol dessas cidades. Era ciumento e ela se sentia presa , a transferência para o Interior foi fundamental para que o namoro fosse em frente. As vezes ele se " danava " com as meninas das bandas de lá e ela se " danava " com os meninos das bandas de cá. Namoro de longe é complicado e eles só se encontravam quinzenalmente. No inicio de 68 foi transferido para Fortaleza, foi aí que eles decidiram juntar os trecos. Para sempre, eternamente, graças a Deus.

Sexta-feira, Novembro 28, 2008